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01/09/2017

Conviver com pessoas com deficiência é pauta no Cefospe

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Buscando cada vez mais promover a inclusão de pessoas com deficiência no âmbito do Poder Executivo, a Secretaria de Administração (SAD), sob o comando do Secretário Milton Coelho, por meio do Centro de Formação do Servidor de Pernambuco (Cefospe), promoveu na sexta-feira (25), um evento cujo tema foi “Transversalizando Políticas Públicas”. A iniciativa, que teve como mote a Semana Estadual da Pessoa com Deficiência, promovida pela Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude (SDSCJ), buscou passar dicas aos servidores estaduais em geral de como é possível ter uma melhor comunicação e convivência com pessoas com deficiência. O encontro foi realizado no auditório do Centro de Formação, e contou com participação também de representantes de várias entidades ligadas ao portador de deficiência auditiva.

Durante o discurso de abertura, a diretora do Cefospe, Analúcia Cabral, explicou que desde o ano de 2016, a instituição vem priorizando o curso de Libras dentro de sua programação pedagógica. “Já foram capacitados de 2016 até agora, 135 servidores de 30 órgãos estaduais distintos”, disse ela, aproveitando a ocasião para anunciar o curso instrumental de Libras voltado para agentes de trânsito. “Essa iniciativa é em parceria com a Superintendência Estadual de Apoio à Pessoa com Deficiência (Sead), a Prefeitura do Recife, Detran e a CTTU e foi idealizada, visto que estes profissionais lidam diariamente com condutores de veículos, entre eles, portadores de deficiência auditiva”, comentou Analúcia Cabral, acrescentando que mais quatro turmas do curso de Libras serão formadas até o final deste ano.

A primeira palestra intitulada “Dicas de convivência” foi proferida pelo Superintendente da Sead, Edmilson Silva. Em seu discurso, Edmilson ressaltou que os cidadãos precisam enxergar as pessoas com deficiência como parte integrante da sociedade e não como pessoas invisíveis.
 
Depois, o Superintendente repassou algumas dicas de convivência como: sempre perguntar a um cadeirante se ele precisa de ajuda; não empurrar a cadeira sem antes informá-lo, pois nem sempre ele vai necessitar desta ajuda; no caso de um cego, se apresentar primeiro, depois oferecer o ombro a ele e nunca pegar no braço dele; não fazer movimentos bruscos quando for tocar em uma pessoa cega, pois isso vai constrangê-lo; e em relação à pessoa surda, se não souber a linguagem de sinais, falar pausadamente para que o surdo possa fazer a leitura labial. Caso contrário, escreva bilhetes para se comunicar com ele. 
 
Em seguida, o presidente da Associação de Surdos de Pernambuco, René Hutzlaer, juntamente com o professor Bernardo Klimsa, debateram com o público “Acessibilidade das Pessoas Surdas no Trânsito”. Segundo René, a sociedade civil precisa aprender a conviver melhor com pessoas surdas. “Em um simples gesto do dia a dia, como por exemplo, cumprimentar um surdo na rua ou realizar uma abordagem de trânsito, as pessoas ainda demonstram muita dificuldade em se comunicar”, pontuou René, através da linguagem de sinais.
 
Ele explicou ainda que existe um adesivo com o símbolo internacional de surdez afixado no vidro traseiro do veículo da pessoa surda. “O guarda de trânsito, muitas vezes, desconhece a legislação e acaba advertindo ou multando o condutor surdo indevidamente. Se a sociedade prestasse um pouco mais de atenção, a comunicação com pessoas surdas seria mais acessível”, destacou o presidente da associação.
 
Para o coordenador do Centro de Apoio aos Surdos (CAS) e instrutor do curso de Libras do Cefospe, Marcelo Manoel da Silva, esta capacitação voltada para servidores do Poder Público Estadual contribui de maneira significativa para que os surdos tenham mais autonomia quando procurarem os órgãos do Poder Executivo. “Os agentes públicos se mostraram interessados em aprender a linguagem de sinais. Eles participaram das atividades em sala de aula de forma efetiva. A capacitação foi muito proveitosa”, pontuou o educador, que é surdo e também leciona a disciplina de Libras há pelo menos 15 anos. A entrevista com o professor Marcelo foi intermediada pela intérprete de Libras, Rafaella Briane.
 
O curso oferecido pelo Cefospe tem uma carga horária de 40 horas/aula, dividido nos seguintes módulos: cumprimentos, saudações, números, cores, alfabeto e metodologia da língua de sinais. 
 
Outras ações
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - Em paralelo, o Cefospe que irá lançar este mês cursos de Educação à Distância (EAD), aproveitou a oportunidade para informar que todos os vídeos contarão com tradução em libras, bem como os cadernos que vão ter imagens descritivas, que a partir de software poderá fazer a narrativa dessas imagens para pessoas com deficiência visual.
 
ACESSIBILIDADE - Outra ação anunciada pelo Cefospe é que em breve será  executado o projeto de acessibilidade em todo o seu prédio. Serão implantadas sinalização tátil e em braille para pessoas com deficiência visual, rampas de acessibilidade, além das salas  e banheiros que serão adaptados para pessoas com deficiência.